quinta-feira, 3 de julho de 2014

A importância do registro para o professor



“A articulação de pensamentos para conhecer o outro, a si, o mundo”.
Na medida em que registra sua prática pedagógica, o professor  possibilita um novo olhar para si próprio: seus conhecimentos, seus limites e possibilidades, sua visão de mundo. Estes registros (dados qualitativos e quantitativos*) não demonstram conclusões, mas sim, inquietações, questionamentos que proporcionarão exercício reflexivo, reparo, aprofundamento, verificação, mudança de seu posicionamento frente ao aluno, à escola, ao conhecimento.
Tal postura requer disciplina, sistematização, organização por parte do professor, cotidianamente. Maneira de colocar o pensamento, a ideia, a criação em prática, o que representa salto qualitativo com relação à sua metodologia de trabalho.
* Acompanhamento de notas, faltas, frequências, de envolvimento familiar, aulas ministradas, metodologias experimentadas, projetos especiais (sucessos e insucessos), avanços individuais e / ou grupais, diários, etc. Relatórios, gráficos, planilhas, entrevistas, impressões, são algumas formas de manejo de dados para o planejamento, a antecipação de ações.
Para saber mais:
WEFFORT, Madalena Freire. Observação, registro, reflexão. São Paulo: Espaço Pedagógico, 1996.
Retirado de: http://walkiriaroque.com/

quarta-feira, 2 de julho de 2014

O tempo e a jabuticaba

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver 
daqui para frente do que já vivi até agora.

             Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas.



As primeiras jabuticabas, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço...

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte...

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de 'confrontação', onde 'tiramos fatos a limpo'.

Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 'as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo."


Rubem Alves

terça-feira, 1 de julho de 2014

Atividades de Alfabetização

ATIVIDADES QUE SÃO FUNDAMENTAIS NO TRABALHO COM ALFABETIZAÇÃO:





Escrita e leitura de listas (palavras do mesmo campo semântico. Exemplo: Tem na festa de aniversário (para oferecer pistas aos alunos de forma que façam antecipações de leitura por exemplo)

Leitura de ajuste de textos de memória (que são cantigas, parlendas, trava línguas, quadrinhas). Cante com eles várias vezes até que note que decoraram o texto.
Você lê apontando com o dedo na lousa, eles acompanham na cópia que eles tem.
Em seguida vc fala a palavra e eles precisam encontrar na cópia do texto que tem em mãos.

Reescrita de textos de memória
Depois de memórizado
Você pode trabalhar essa atividade com as duplas produtivas.

Reescrita de contos, ou reconto: Pedir, de início, que escrevam a parte que mais gostaram, que escrevam a cantiga que aparece no conto, que escrevam o início ou o final...

Ao trabalhar com contos procure relacionar junto com eles as várias formas usadas para iniciar um conto, para finalizar os mesmos, liste personagens, liste cenários, heróis, vilões... Isso será fundamental que quando produzirem textos de autoria e mesmo para a reescrita.

Esse traballho pode ser feito de diferentes formas: no coletivo (eles vão ditando e você é o escriba, discuta com eles a melhor forma de escrever para deixar o texto mais bonito), em duplas produtivas ou individualmente. Depende de seu objetivo e do nível de conhecimento as cças.

Cruzadinhas e caça palavras (sempre no mesmo campo semântico, com ou sem banco de palavras de acordo com o nível de escrita de cada aluno) em dupla ou individualmente.

Leitura e interpretação com autonomia Para alunos em nível silábico alfabético e alfabético

terça-feira, 17 de junho de 2014

A arte de educar para a vida

           A busca pela formação do futuro, além das tradicionais salas de aula
                             Autor: Carlos Alberto Pereira de Campos
                      (texto extraído na íntegra de:http://linguaportuguesa.uol.com.br/)




Educar é uma arte! E, como toda a arte que se preze, necessita de um ingrediente básico e fundamental para que tenha sucesso: sensibilidade.
Hoje vivemos num mundo árido onde as relações interpessoais tornaram-se raridade, graças a um processo de globalização, onde as informações transitam com agilidade surpreendente, não permitindo as adequações a essa nova realidade.
Numa sociedade que responde à chamada Modernidade Líquida (Zygmunt Bauman), onde os estereótipos de família nucleada acabaram dando espaço a novas formas de convivência, é imprescindível que tanto o professor quanto os responsáveis tenham sensibilidade para a construção unificada de um conhecimento realmente emancipador, através da formação de pessoas críticas e conscientes do seu papel no mundo em que vivem. Não devemos esperar que legislações falhas, instituídas em sua grande parte por burocratas que pouco ou nada vivenciaram numa sala de aula, norteiem nossas ações quando o foco é unicamente a visão holística do ser humano em essência e a construção real de pessoas voltadas para o bem comum.
Também não podemos esperar que uma sociedade capitalista, com olhares meramente consumistas, olhe com carinho para o despertar de novas consciências. Isso seria de uma contradição ímpar, pois consciências críticas apenas cobrariam a participação que lhes é devida por direito e abalariam os alicerces consolidados durante séculos e fundamentados numa filosofia liberal-positivista, que sempre privilegiou poucos em detrimento da grande maioria.
Mesmo nesse cenário tétrico, de poucas perspectivas e alta competitividade, vemos na educação o único caminho para um novo tempo. Um tempo de descobertas, de quebra de paradigmas, de rompimentos e, como consequência, o surgimento de um horizonte de liberdade e cidadania plenas.
A sala de aula sempre representou um santuário para os grandes educadores. E entenda-se a sala de aula como qualquer espaço onde a arte de educar se faça presente com amor, empenho, dedicação, respeito e, principalmente, sensibilidade. Deixemos de lado o entendimento arcaico da sala de aula de quatro paredes, quadro negro, giz, carteiras enfileiradas e crianças entediadas repetindo em uníssono a verborragia proferida pelos chamados mestres. Na realidade, não consigo ver, neste ambiente, nada além da visão preconizada por Michel Foucault em sua obra Vigiar e Punir, onde compara a estrutura das escolas ao sistema prisional. A partir dessa ótica, encontramos nas escolas as "celas" de aula, com seus professores carcereiros, diretores delegados e muitos prisioneiros que perdem o encanto e a criatividade à medida que vão avançando nos anos escolares. São os pequenos príncipes que se transformam lentamente em sapos.
Definitivamente, não é essa a educação que desejamos para nossos filhos. Nada que venha a tolher sua criatividade e desejo intrínseco de crescimento. Por isso, como educadores, faz-se necessária a reavaliação constante de nossa postura e a adoção de uma visão emancipadora. Afinal, a educação deve ser como a verdade: Libertadora.

Professor Carlos Alberto Pereira de Campos, Diretor Municipal de Educação Porto Feliz, tiokaka@gmail.com

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Distorção idade-série...o que é isso?




No Brasil, toda criança deve ingressar no 1º ano do Ensino Fundamental aos 6 anos de idade, encerrando esta etapa aos 14 anos. Após esse período, ela permanece por mais 3 anos no Ensino Médio, concluindo a educação básica aos 17 anos de idade.

Quando o aluno (re)ingressa na escola tardiamente – ou sofre reprovação – ele estará em atraso escolar, ou seja, com idade superior a esperada para aquela etapa escolar. A distorção idade-série é a proporção de alunos com mais de 2 anos de atraso escolar.

O cálculo da distorção idade-série é realizado a partir de dados coletados no Censo Escolar. O Censo é realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com a colaboração das secretarias estaduais e municipais de Educação e com a participação de todas as escolas públicas e privadas do país. Todas as informações de matrículas dos alunos são capturadas, inclusive a idade dos alunos. Fonte: http://www.qedu.org.br/

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil

Toda criança tem direito de brincar, estudar, ser feliz - toda criança tem direito de viver e não apenas sobreviver.

terça-feira, 3 de junho de 2014

O que é letramento?










LETRAMENTO NÃO É UM GANCHO

EM QUE SE PENCURA CADA ENUNCIADO,
NÃO É TREINAMENTO REPETITIVO
DE UMA HABILIDADE,
NEM UM MARTELO
QUEBRANDO BLOCOS DE GRAMÁTICA.

LETRAMENTO É DIVERSÃO
É LEITURA À LUZ DE VELA
OU LÁ FORA, À LUZ DO SOL.

SÃO NOTÍCIAS SOBRE O PRESIDENTE,
O TEMPO, OS ARTISTAS DA TV
E MESMO MONICA E CEBOLINHA NOS JORNAIS DE DOMINGO.

É UMA RECEITA DE BISCOITO,
UMA LISTA DE COMPRAS, RECADOS COLADOS NA GELADEIRA,
UM BILHETE DE AMOR,
TELEGRAMA DE PARABÉNS E CARTAS 
DE VELHOS AMIGOS.


É VIAJAR PARA PAISES DESCONHECIDOS,
SEM DEIXAR SUA CAMA,
É RIR E CHORAR
COM PERSONAGENS, HERÓIS E GRANDES AMIGOS.

É UM ÁTLAS DO MUNDO,
SINAIS DE TRÂNSITO, CAÇAS AO TESOURO,
MANUAIS, INSTRUÇÕES, GUIAS,
E ORIENTAÇÕES EM BULAS DE REMÉDIOS,
PARA QUE VOCÊ NÃO FIQUE PERDIDO.


LETRAMENTO É SOBRETUDO,
UM MAPA DO CORAÇÃO DO HOMEM,
UMA MAPA DE QUEM VOCÊ É,
E DE TUDO O QUE VOCÊ PODE SER.
(Kate M Chong)

sábado, 31 de maio de 2014

O papel do Coordenador Pedagógico

Função é estratégica para mediação entre as diversas instâncias educacionais


  Laurinda Ramalho de Almeida e Vera Maria Nigro de Souza Placco  
 Artigo retirado na íntegra de:http://revistaeducacao.uol.com.br/




Crianças em roda de leitura em escola de Belém, no PA: coordenador pedagógico deve oferecer condições ao professor para que se aprofunde em sua área
Cada escola tem características pedagógico-sociais irredutíveis quando se trata de buscar soluções para os problemas que vive. A realidade de cada escola - não buscada por meio de inúteis e pretensiosas tentativas de "diagnóstico" - mas como é sentida e vivenciada por alunos, pais e professores, é o único ponto de partida para um real e adequado esforço de melhoria.

José Mário Pires Azanha. Documento preliminar para reorientação das atividades da Secretaria. Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, 1983.
Retomamos esta afirmação de Azanha, que foi exaustivamente discutida pelos educadores da rede estadual paulista, na década de 80, porque ela nos lembra que não se pode falar da escola, mas sim de cada escola em particular.
Como pensar em tempos-espaços iguais para o desenvolvimento de propostas curriculares, se as escolas não são iguais? Como fazê-lo, se não dá mais para pensar em escolas urbanas e rurais, pois já temos urbanas centrais e de periferia, rurais de campo e ribeirinhas, bem como variadas combinações de cada um desses tipos?
Se o instituído pelo currículo tem uma base legal - e precisa tê-la, para garantir a Educação Básica para todos, num Estado que se quer democrático, como atentar para essas tantas diferenças não só regionais, mas dentro de cada região?
Parece-nos, então, mais apropriado pensar os atores da escola singular - gestores, professores, auxiliares de apoio e alunos -, em suas relações com as questões curriculares, sem perder de vista que estas são relações de indivíduos portadores de subjetividades com um instituído que lhes é apresentado, via de regra, como objeto a ser manipulado, que a alguns agrada, a outros desagrada. Nessas relações pedagógicas intersubjetivas direção-professor, professor-professor, professor-aluno, aluno-aluno, e destes com o saber instituído pelos currículos que lhes são apresentados, aparecem os conflitos, as contradições, as perdas de referência dos elementos estruturantes de seu modus vivendi. É certo que aparecem também as aderências ao proposto e as tentativas de fazê-lo o melhor possível.
Para melhor entender essas relações, escolhemos, neste texto, o coordenador pedagógico (ou professor-coordenador ou coordenador pedagógico-educacional ou outro termo que designe esse profissional) como ator privilegiado para nossa discussão.

A escolha se deve ao fato de entendermos que ele tem, na escola, uma função articuladora, formadora e transformadora.
Portanto, é o elemento mediador entre currículo e professores. Assim, esse profissional será, em nosso modo de ver, aquele que poderá auxiliar o professor a fazer as devidas articulações curriculares, considerando suas áreas específicas de conhecimento, os alunos com quem trabalha, a realidade sociocultural em que a escola se situa e os demais aspectos das relações pedagógicas e interpessoais que se desenvolvem na sala de aula e na escola.
Esclarecemos, inicialmente, que não aceitamos o coordenador pedagógico como "tomador de conta dos professores", nem como "testa-de- ferro" das autoridades de diferentes órgãos do sistema.
Ele tem uma função mediadora, no sentido de revelar/desvelar os significados das propostas curriculares, para que os professores elaborem seus próprios sentidos, deixando de conjugar o verbo cumprir obrigações curriculares e passando a conjugar os verbos aceitar, trabalhar, operacionalizar determinadas propostas, porque estas estão de acordo com suas crenças e compromissos sobre a escola e o aluno - e rejeitar as que lhes parecem inadequadas como proposta de trabalho para aqueles alunos, aquela escola, aquele momento histórico.
O que competiria, então, ao coordenador pedagógico?
- Como articulador, seu papel principal é oferecer condições para que os professores trabalhem coletivamente as propostas curriculares, em função de sua realidade, o que não é fácil, mas possível;
- Como formador, compete-lhe oferecer condições ao professor para que se aprofunde em sua área específica e trabalhe bem com ela;
- Como transformador, cabe-lhe o compromisso com o questionamento, ou seja, ajudar o professor a ser reflexivo e crítico em sua prática.
Como articulador, para instaurar na escola o significado do trabalho coletivo, é fundamental que o coordenador pedagógico possibilite ações de parceria, de modo que, "movidas por necessidades semelhantes, (as pessoas) se implicam no desenvolvimento de ações para atingir objetivos e metas comuns", de modo a pôr em movimento as metas curriculares propostas, conforme descrito em nosso livro Aprendizagem do adulto professor (Edições Loyola, 2006).
O coordenador pedagógico será, então, aquele que, conhecendo essas propostas, tendo participado de sua elaboração/adaptação às necessidades e objetivos daquela escola, possibilita que "novos significados sejam atribuídos à prática educativa da escola e à prática pedagógica dos professores", ( O coordenador pedagógico e os desafios da educação , Edições Loyola, 2008).

Outro aspecto importante dessa articulação é a possibilidade de interdisciplinaridade, a fim de que o compromisso com a formação do aluno se traduza na não-fragmentação, na conciliação e confrontação de propostas e ações curriculares.

Visto como formador, dois aspectos devem ser destacados na função do coordenador pedagógico:
a) seu compromisso com a formação tem de representar o projeto escolar-institucional e tem de atender aos objetivos curriculares da escola;

b) o compromisso com o desenvolvimento dos professores tem de levar em conta suas relações interpessoais com os demais atores da escola, alunos, pais, comunidade, sendo estas relações entendidas em sua diversidade e multiplicidade, aceitas como se apresentam, aproveitadas como recurso para o processo formativo, como explicado em O coordenador pedagógico e questões da contemporaneidade.
Finalmente, como transformador, espera-se sua participação no coletivo da escola como aquele que permite e estimula a pergunta, a dúvida, a criatividade, a inovação. Só assim a escola se instituirá não apenas como espaço de concretização do currículo, mas também como espaço de mudanças curriculares necessárias e desejadas pelos professores, para cumprir seus objetivos educacionais.

Laurinda Ramalho de Almeida e Vera Maria Nigro de Souza Placco são professoras do Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: Psicologia da Educação, da Faculdade de Educação da PUC-SP.